O final do século passado legou ao seu sucessor, o século XXI, o movimento de políticas públicas comprometidas com a transparência. Essa palavra tornou-se a novidade do momento político, tão carente de credibilidade popular. Foi tanta ênfase que, ao tornar as contas da gestão pública acessível ao cidadão, parecia ter encontrado a política infalível de garantia do uso da coisa pública aos fins dados, sob publicidade do empreendido à verificação do cidadão, quanto ao seu resultado corresponder ao menor gasto à obtenção do maior benefício ou empreendimento. Transparência na administração pública era a novidade metodológica da política que o governo presbiteriano vivenciou desde as suas primeiras expressões no século XVI. E, posteriormente, influenciou as futuras nações modernas com o entendimento de que República e Democracia capengariam sem transparência. No governo presbiteriano (calvinista) a transparência na destinação das ofertas recebidas pode ser considerado o outro motivo, juntame...

O sol
atravessava uma nuvem naquela quarta-feira já com aspecto de tumulto devido à
proximidade do Dia de Todos os Santos. Tudo parecia funcionar conforme a trama
da rotina: as mulheres sacodem os tapetes nas janelas, os homens se lançam rumo
aos seus afazeres... E ali um monge sobe as escadas da Capela do Castelo de
Wittenberg, na Alemanha. Dirige-se a mais uma incontável ladainha?
Não! Vê-se uma determinação
silenciosa. Fixa uns papeis na porta ao lado da Igreja. Mais um papel nesse mural de pedidos de orações e avisos? O vento
sobra. Vento que se remete contra a porta da Capela a arrancar e jogar os papeis ao esquecimento?
Não dessa vez! Ali estava afixados os papéis com
escritos que suportariam tempestades. ‘‘Vejam!’’, exclama alguém. O Dr.
Martinho Lutero fixou algo na porta da Capela. Correm para se informar sobre o que comunicava o panfleto. O texto estava escrito em latim. Os que observam não sabem a língua da Academia e dos
clérigos.
Finalmente, um alfabetizado na sacra língua romana faz a leitura. Ali o eco
das 95 teses é como um estrondo de terremoto que abalasse o mundo. ‘‘É necessário que todos
leiam!’’, sugestiona um ouvinte. Encarregam de levar a mais próxima imprensa, a recém criação da multiplicadora da reprodução da informação leitora.
O sol resiste em se pôr. Esse é um dia eterno! Ele não poderia
ser medido com qualquer ampulheta. O selo do Livro escrito por dentro e por
fora se rompeu. O Evangelho eterno sopra entre aquelas campinas e enche as
velas da profecia bíblica. O tempo está cumprido. O que previra o profeta
Habacuque (2.4), quebra os grilhões da crendice, dos dogmas e da soberba, e
ecoa: ‘‘O justo viverá por fé.’’ Nas pegadas daquele monge, agora corria a
história da salvação. Desencadeava-se a revolução da maravilhosa graça. Os
reis, rainhas, sábios ou demônios não seriam capazes de deter o jorrar do rio
que corre do trono de Deus!
O sol encontra-se em seu ocaso. O monge já voltara ao seu
convento. Nem imagina que lá fora o mundo não é mais o mesmo. Ele senta e faz
sua oração vespertina. Agradece a Deus por sua bondade e se prepara para o
anoitecer. Não sabe ele que, na verdade, encontra-se em outro tempo: o sol daquele dia ainda está no crepúsculo: Post tenebras lux – Após as trevas, a luz! Não estava anoitecendo, mas amanhecendo! A luz do Evangelho da graça e da glória de Deus
brilha novamente!
A noite chega! O monge dorme sob a proteção divina. Durante a
noite, suas palavras tornam-se folhas voadoras (panfletos). Ao amanhecer, o
mundo receberia não apenas uma denúncia contra a venda de indulgências, mas o
Evangelho salvador de Deus!
Que maravilhoso dia o Senhor fez: alegremo-nos e nos regozijemos nele! A graça superabundou. Era 31 de outubro de 1517. O início do retorno ao
Evangelho: a Era Protestante!
Rev. J. A. Lucas Guimarães
Secretário Executivo / SLI (2023-2025)
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