
Ser pai é um sublime privilégio, mas também uma imensa responsabilidade. Não basta gerar filhos; é preciso fazer grandes investimentos na vida deles para educá-los e prepará-los para a vida. Muitos homens tornam-se famosos e alcançam o apogeu do sucesso na carreira profissional, mas poucos têm êxito no recôndito do lar. Grandes homens, como Isaque e Jacó, cometeram sérios erros na criação de filhos. Homens que exerceram sólida liderança espiritual sobre multidões, como Eli e Samuel, não lograram êxito na formação moral e espiritual dos filhos. O maior rei de Israel, Davi, depois de vitórias retumbantes na vida, sofreu a maiores derrotas dentro do lar. A paternidade responsável é um grande desafio ainda hoje. Vamos observar, à luz da Palavra, alguns princípios importantes para os pais:
1 Um pai é alguém que é exemplo
para os filhos (Dt. 6.4-7). Antes de um pai ensinar os filhos, ele precisa
viver o que ensina. Albert Schweitzer disse corretamente que o exemplo não é
apenas uma forma de ensinar, mas a única eficaz de fazê-lo. O pai não pode
apenas ensinar o caminho aos filhos, mas ensinar no caminho (Pv. 22.6). O pai é
como um espelho. O espelho, embora mudo, demonstra. Precisamos de pais que sejam modelo de
honestidade, de piedade e vida cheia do Espírito. O pai é um homem que ama a
Deus, vive com Deus e ensina os filhos pelo exemplo (Dt. 6.4-6). O livro de
Deuteronômio diz que, antes de instruir nossos filhos acerca de Deus, devemos
amar a Deus sobre todas as coisas. Andes de inculcar em nossos filhos os
preceitos de Deus, devemos ter no coração a Palavra de Deus. Não podemos exigir
dos nossos filhos aquilo que não vivemos. O exemplo não é uma forma de ensinar,
mas é a única forma eficaz de fazê-lo. Uma das grandes tragédias da família
contemporânea é que os pais deixaram de ser modelos para os filhos. Muitos pais
tropeçam na palavra e coxear (tropeçam) na conduta. A inconsistência na vida e
nas palavras esvazia a autoridade dos pais. Os pais precisam ser como espelho
para os filhos. O espelho não grita; demonstra. Não faz discurso; revê-la. Os
pais precisam amar a Deus, andar com Deus e ser exemplo para os filhos, se
quiserem vê-los andando por essas mesmas veredas.
2 O pai é alguém que encontra tempo para os filhos (Jó 1.5). Quem ama, prioriza.
Quem ama, encontra tempo para a pessoa amada. Um pai jamais sacrifica o
importante no altar do urgente. Tudo à nossa volta tem o apelo do urgente. Mas
nem sempre o urgente é importante. Os filhos são importantes. Eles merecem o
melhor do nosso tempo, da nossa agenda, da nossa atenção. Se um pai está tão
ocupado a ponto de não ter tempo para os filhos, ele está ocupado demais. Na
verdade, nenhum sucesso compensa o fracasso do relacionamento com os filhos. A
herança de Deus na vida dos pais não é o dinheiro, mas os filhos (Sl 127-3). Presentes
jamais substituem a presença do pai na vida dos filhos. Os filhos precisam dos pais,
mas do que de coisas. Jó era um homem rico. Ele tinha uma agenda congestionada.
Tinha muitas propriedades, muitos rebanhos e muitos servos. Mas ele dedicava o
melhor do seu tempo para conversar com os filhos e orar por ele (Jó 1.5).
3 Um pai é alguém que equilibra
correção e encorajamento (Ef 6.4). O rei Davi pecou contra seus filhos porque
não gostava de contrariá-los. O sacerdote Eli é acusado de amar mais os filhos
do que a Deus, mas seu amor não era responsável, pois ele foi conivente com o erro
dos filhos e não teve pulso para corrigi-los. Deixar de corrigir os filhos é um
grande perigo. Porém, a correção precisa ser equilibrada com o encorajamento.
Os filhos precisam ser estimulados pelos pais. O elogio sincero e a apreciação dos
filhos são ferramentas importantes na formação emocional dos filhos. Os filhos
precisam ser amados, protegidos e orientados pelos pais. Correção sem encorajamento
é castigo; encorajamento sem correção é bajulação. Ambas as atitudes estão fora
do propósito de Deus.
4 Um pai é alguém que cuida da vida espiritual dos filhos (Ef 6.4). Não basta ao pai dar teto, comida, roupa, educação e segurança aos filhos. Ele precisa prioritariamente conduzir seus filhos pelos caminhos do Senhor. O pai deve gerar seus filhos não apenas biologicamente, mas também gerá-los espiritualmente (Sl. 78.3-8). Um pai que faz a diferença é como o patriarca Jó, que intercedia todas as madrugadas pelos seus filhos e os chamava para santificá-los. Precisamos de pais que aspirem não apenas ao sucesso profissional dos filhos e invistam não apenas no êxito estudantil deles, mas busquem prioritariamente a salvação de seus filhos. Não basta ter filhos brilhantes; precisamos ter filhos salvos. Não basta ter filhos bem-sucedidos profissionalmente; precisamos ter filhos consagrados a Deus. Nossos filhos devem ser mais filhos de Deus do que nossos. Eles devem ser criados para realizar os sonhos de Deus mais do que os nossos. Eles devem viver para a glória de Deus mais do que para a nossa realização pessoal. O pai é um homem que se empenha zelosamente na educação espiritual dos filhos (Dt 6.7). O livro de Deuteronômio diz que os pais precisam inculcar na mente dos filhos a Palavra de Deus. Essa palavra “inculcar” significa falar e repetir. Não é um ensino ligeiro e superficial, mas claro, sólido e constante. É falar e continuar falando até imprimir na mente dos filhos as Sagradas Letras. A educação espiritual dos filhos é de responsabilidade dos pais (Ef. 6.4). É o pai que tem o compromisso de criar filhos na disciplina e admoestação do Senhor. O lar é a grande escola espiritual dos filhos. O lar é a trincheira onde a batalha espiritual na luta pelos filhos é ganha ou perdida. Os pais precisam ter tempo para ensinar os filhos, orar com os filhos, ouvir os filhos, chorar com os filhos e celebrar com eles.
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